quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Ah, periferia


Como eu queria, periferia, que não te ferissem mais



Periferia, eu preferia que todos a vissem assim



 Se eu pudesse te contar, seria apenas essa a minha crônica de ti

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Tomara

Tomara não pense muito
Tomara não pese nunca

Tomara valha a demora
Tomara que possa tudo

Tomara não canse a espera
Tomara não se aborreça

Tomara caiba na rede
Tomara a poesia cresça

Tomara o medo me esqueça
E a entrega prevaleça

Tomara um monte de coisa
E tomara que aconteça

Tomara que a vida ande
E o riso permaneça

(29/08/2015)

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Lenda, Lenda

Quando você redescobrir o Brasil
Não tenha medo de bicho grande que voa
Nem de montanha que anda
Nem de gente que tem olhos no mar
Quando você redescobrir o Brasil

Quando você redescobrir o Brasil
Não tenha medo de comer algo que pula da árvore
Não vigie os ouvidos para que não entre choro de Pixinguinha
Não evoque todos os santos, receba os orixás com os mares, os ventos e os luares abertos
Quando você redescobrir o Brasil

Quando você redescobrir o Brasil
Prepare-se para mexer o taxo de goiaba madura
E o taxo de banana madura
E o taxo de leite no seu caldeirão de cobre
Não para que vire doce,
Você vai ver que o nome dessa receita é felicidade
Quando você for redescobrir o Brasil

Quando você redescobrir o Brasil
Abandone os sapatos
Para andar pelos grandes sertões e pelas veredas
Abandone as horas
Quando for ler os muitos os que você precisa ler
Quando você redescobrir o Brasil

Quando você redescobrir o Brasil
Aprenda a língua dos riachos
Pinte o corpo para dançar
Coma desprezando colher
Alias, por favor, desinvente o talher
Quando você redescobrir o Brasil

Quando você redescobrir o Brasil
Espere o breu da noite acender as estrelas
E tente acender o fogo com as mãos
Deite-se em comunhão com os seres que chegarão sem serem vistos
Para ouvir os seus pensamentos
Quando você redescobrir o Brasil

domingo, 11 de maio de 2014

Festa Literária

No sábado e no domingo que vem (17 e 18 de maio de 2014) tem - Festa Literária de Santa Teresa. Em sua quinta edição, a Flist é organizada pelo CEAT, um colégio dos mais simpáticos do Rio, onde se formaram amigos meus da melhor qualidade pessoal, intelectual e profissional. E ainda fica num castelo lindo no meio da floresta.

Mas a Flist, voltando a ela, vai homenagear Marina Colasanti e Ziraldo, e fará um tributo ao meu, seu, nosso Dorival Caymmi. 

Programação aqui: http://www.flist.org.br/.

Por isso tudo, é imperdível para as crianças de todas as faixas etárias, incluindo jovens, adultos, idosos e bebês. 

Sempre acho que o livro literário está a serviço de qualquer leitor. Emoção, curiosidade, ansiedade, sensibilidade são sentimentos humanos, que não têm prazo de validade, me parece.


Como se desapaixonar do Menino Maluquinho ou não se identificar mais, de um dia para o outro, com Flicts, a cor rejeitada que descobre que é, simplesmente, a Lua? Flicts, pra mim, sempre foi "O Livro". Infantil? não! O Livro. Exagero? acho que é, mas livro querido é assim, cada um tem o seu.


Bom, da obra literária e poética de Dorival Caymmi, só tenho a dizer o seguinte: ele não precisou fazer 400, 500 músicas. Fez menos de 200. Quase todas falando de sua aldeia. Cantando, com amor, o Mar e o Povo de sua aldeia - os da terra e os do mar. Mas o danado tocou tanto no coração da gente que dá vontade de ser baiana. A Bahia tem um jeito que nenhuma terra, nem o Rio, tem. 

E deixei Marina pro final porque ela é uma descoberta (mesmo) dessa minha fase atual. A fada encantada da literatura. E as fadas, todas as crianças que leram Peter Pan sabem: a fada existe sempre que alguém acredita nela. E Marina, fada vivíssima, liiinda de doer, continua criando poções mágicas em forma de escrita literária. Eu desejo Marina Colasanti para vocês, leitores e leitoras. Faz um bem danado tomar uma dose diária desse feitiço que é a obra de Marina.

Bom, euzinha vou participar: 

No sábado (17), às 10h, de uma mesa com outros autores do selo Flores Ilimitadas, que lançou o Lá no meu quintal (IL. Agostinho Ornellas) e está trazendo meu "filho" novo, na verdade, "filha", A Recontadora de Histórias (Il. Danilo Marques). Depois, junto com a Ninfa e um grupo de amigos, todos lindos, integro o Poesia no Parque (convite aí embaixo) e, em seguida, ataco de Livro de Rua, com Pedro do Livro, Lucia Morais e Arlene Costa.

Ou seja, estou bem mais feliz do que aqueles que "foram felizes para sempre". E torcendo pra essa semana passar mais rápido que estrela cadente. E vamos todos pegar nosso tapete mágico, ou nossa vassoura mesmo, e voar pra Flist. 

A menos que você não acredite em fadas.








segunda-feira, 31 de março de 2014

Escrever

Às vezes acredito que sou muito melhor do que sou
Às vezes acredito que sou muito pior do que sou
Às vezes acredito nas mentiras que conto
Às vezes admito meias verdades e remendo os pontos

Às vezes não encontro as verdades que escondo
Às vezes finjo que me vi sob os escombros
Às vezes penso que ri de mim
Às vezes amordaço a graça

Pior é quando finjo que entendi
Pior é quando juro que esqueci
Pior é quando não percebo que fugi
Pior é quando acredito que sei fingir

Mas de todos os atalhos
Aprendi a remar contra a corrente
A saltar no redemoinho e a rimar com a serpente
A minha terra firme é uma folha em branco

Ardo, adormeço, desacordo, adorno, mordo
De dor em dor, vou dourando e adorando

(março/2014)








sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Versos de cordel no Parque


Campanha Paixão de Ler 2013. 
Poesia no Parque. 
Bom de dizer! Melhor ainda de ouvir! 
Vem!


Sábado sem amor

Sábado é dia do amor
E o amor falhou, o amor fugiu

Sábado é dia do amor
E o amor cansou, o amor faliu

Sábado é dia do amor
E o amor doeu, o amor dormiu

Sábado é dia do amor
E o amor caiu
O amor enfezou
O amor desistiu
O amor depenou
O amor se enganou
O amor despencou
O amor prosseguiu
O amor trapaceou
O amor se feriu
O amor se frustrou
O amor rastejou
O amor demoliu
O amor rejeitou
O amor sucumbiu
O amor se perdeu

O amor se matou