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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Minhas memórias de Lá no Meu Quintal


Lá no Meu Quintal, meu segundo livro, ficou pronto em menos de três meses, graças à parceria de duas pessoas a quem preciso agradecer. Agostinho Ornellas e Luciana Bastos Figueiredo.  No dia 01 de julho de 2013, mandei um e-mail para o Agostinho, meu colega ilustrador da oficina de literatura infantil e juvenil da Ninfa Parreiras. Mal nos conhecíamos, mas achei que tínhamos que escrever um livro juntos depois que ele deu uma palhinha de como era sua infância no quintal de sua casa. Imaginei logo as aquarelas que ele faria e sonhei com este livro que ficou pronto dois meses depois. Sim, é por causa do meu desejo de ter um texto aquarelado pelo Agostinho que esse livro existe. Depois de sonhar, comecei a me perguntar como iria escrever uma história que não era minha. Nem de verdade nem de mentira. Tá, morei numa casa com quintal, mas há mais de 30 anos me mudei de lá. Resolvi fazer uma "entrevista" com ele, mandei o email, já pedindo desculpas.

"Agostinho, vou começar confessando que estou rindo só de imaginar você lendo essas perguntas e pensando "A Sol é maluca". Bom, hoje, inclusive, acho que acordei um nível acima...mas aí que estou "canalizando" a loucura para a literatura e,finalmente, envio as perguntas para começarmos nossa história a quatro mãos. Pensei no título "Meus morcegos e nossa amendoeira". O que acha?  
Quanto às respostas, lembre-se de que você pode responder tudo da sua cabeça de escritor. Portanto, nada de respostas curtas. Preciso de material. Proponho que você me entregue até dia 14 de julho. D´accord?

Qualquer desistência, me avisa, mas não tem mais a desculpa de que você está escrevendo tese...hahaha

1-      Conte-me como você descobriu a amendoeira.
2-      Deu um nome a ela?
3-      Como começou “a amizade” de vocês?
4-       Você costumava conversar com ela? Sobre o quê? Acha que ela o ouvia? Que tipo de resposta ela te dava?
5-      Me conta como era sua rotina (ia pra escola, fazer dever de casa, jogava futebol, morava com quem, tinha irmãos, brincava com eles, de quê, já gostava de desenhar e o que gostava de desenhar?)
6-      Descreva sua casa e o quintal onde ficava a amendoeira.
7-      Você chegou a pesquisar sobre amendoeiras? Ou sobre árvores? O que descobriu sobre as amendoeiras ou as árvores em geral nestas pesquisas?
8-      Quando foi que você descobriu os morcegos que moravam nela?
9-      O que sentiu quando viu os morcegos e descobriu que tinham feito da árvore sua morada?
10-   O que as outras pessoas pensavam da amendoeira?
11-   O que as outras pessoas pensavam dos morcegos?
12-   Você chegou a pesquisar sobre os morcegos? O que descobriu sobre eles?
13-   Seus morcegos tinham nome? Você sabe se eles eram um casal?
14-   O que você observou neles que te impressionou?
15-   Você tentava capturá-los? Se não, por que não?
16-   Se sim, para quê?
17-   Tinha medo deles?
18-   O que fez para combater o medo?
19-   Na sua opinião, eles eram uma ameaça à amendoeira ou tinham direito a ela tanto quanto você?
20-   Você tentou desenhá-los?
21-    Conte-me o episódio em que a árvore foi derrubada.

Dei sorte. Ele topou!!! E para encurtar, essa história teve final feliz! Obrigada, querido! Muito obrigada de coração. Esse livro é seu, muito seu.

Aí entra a Luciana Bastos Figueiredo. Minha amiga desde sempre. Amiga dos meus sonhos, dos meus escritos. Em 2000, me lembro que a Lu ainda era estagiária da Casa da Palavra quando entreguei, à Martha Ribas, editora de lá, o texto "Doroteia cheia de ideia" para avaliação. Num outro dia, estive na editora para alguma coisa e topei com a Luciana, que me disse: "Li seu texto e adorei". Esse texto ainda não saiu da gaveta, mas nunca esqueci o incentivo. Aí, no decorrer desses 13 anos, encontrava a Lu na praia, nos sambas, em feiras de livro ou almoçando perto da Rocco, onde ela trabalhou como editora de livros para crianças e jovens. Luciana editou, em 2011, meu primeiro livro na Gryphus. Luciana recebeu o texto de "Lá no Meu Quintal" logo depois da Flip, no comecinho de julho de 2013, há pouco mais de três meses. Não sei quantos dias ela trabalhou até altas horas da madrugada, que esforços ela fez, quantos fins de semana ela sacrificou para que este livro ficasse pronto até o fim de setembro. Ela nunca me deixou apreensiva, nunca passou adiante nenhuma dose de sua preocupação. No domingo, quando cheguei em casa, li o livro todo, acompanhado pelas ilustrações do talentoso aquarelista que escolhi para mim. Sou uma sortuda, só digo isso. Luciana Bastos Figueiredo é a melhor editora que eu poderia querer para qualquer livro meu. Obrigada, Lu. Eu te disse em Paraty, antes desse livro pensar em existir: onde eu estiver falando sobre os meus livros, daqui cem anos que seja, seu nome será sempre mencionado com o maior orgulho e a maior admiração. (As fotos foram postadas no álbum do evento, no Facebook pela Luciana.)  

Ilustrador foi a inspiração para o personagem do livro

 
Luciana: editora preferida também lançou um livro dela

Nosso Quintal povoado de tanto amor que nem sei...

Marília, Edna, Lu, Andrea e Sandra: para quem pode

Sobrinho danado de lindo clicados pela Marilia Pirilo

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Escrever, publicar, vender



Deu vontade de novo de tirar os escritos da gaveta. Escritos de anos inéditos e pouco lidos. Vou revirar os cadernos, as gavetas, as pastas. Chega de deixar as palavras embolorando. Que eu possa escrever cada vez mais depois disso.

Publiquei meu primeiro livro em 2011.  Esse é o convite que a editora fez para meu lançamento no Salão da FNLIJ. Cheio de crianças. Foi uma festa. E o dia 13 de junho de 2011 foi  realmente marcante, o dia em que, depois de 30 anos escrevendo praticamente todos os dias, me senti escritora de verdade. Parece bobagem, e acho que é. Então a pessoa escreve, escreve, escreve a vida toda, e só depois (e só porque) que publica seu primeiro livro é que acha que é escritora? É isso, mas é uma bobagem legítima. Porque escritor é quem escreve livros, não quem escreve diários, textos que emboloram na gaveta e poemas a que nem os próprios musos inspiradores têm acesso. Não. Escritor é quem escreve porque escreve. Porque respira. Porque nasceu. Mas publicar é doce. E não publicar é amargo. Taí a diferença para o escritor.

Meu primeiro livro ainda me levou para uma escola, o Colégio MV1 de São Gonçalo/RJ, que adotou o livro em duas turmas de 3o ano. E me levou também para a Feira Literária da Unidade Humaitá do Colégio Pedro II. Quanto às vendas em livrarias, não foram muitas. Muitos exemplares devem estar embolorando no estoque da editora. Isso é uma pena, mas é a realidade do mercado de livros. Todo mundo sabe que as livrarias só compram das editoras livros que vendem que nem água, e não que nem livro. São muitos e  muitos livros que nunca são apresentados ao leitor que visita a livraria. É preciso um Salão do LIJ ou uma Primavera dos Livros para que uma produção editorial chegue ao conhecimento do leitor. E, às vezes, nem assim, porque algumas editoras não conseguem participar destes eventos. A adoção nas escolas, quando acontece, é uma coisa bem interessante para o autor e para a editora, mas a divulgação nas escolas é trabalhosa. Ah, e ainda temos as sonhadas compras governamentais.  Enfim, outro dia também me perguntaram se eu vendia meu livro. Respondi assim: "Eu não, não sou vendedora". Outra bobagem, acabei por concluir. Afinal, se somos escritores antes de publicar, não será vendendo o meu próprio livro que serei vendedora consumada. Porque o objetivo do escritor é que o livro que ele publicou seja lido. E, em alguns casos, o que ele não publicou ainda também. Ou não. Há aqueles que devem, sim, ficar embolorando na gaveta. Ou nem chegar a ela, ir direto para o lixo.

 "E com quantos paus se faz uma canoa?" (escrito por Sol Mendonça, ilustrado por Carla Pilla e editado pela Gryphus) está à venda no site da editora e nas livrarias físicas e virtuais. É só encomendar!